sábado, 17 de novembro de 2012

she-tradução

Soneto do Anjo


Pálida, à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar! na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!

Era mais bela! o seio palpitando…
Negros olhos as pálpebras abrindo…
Formas nuas no leito resvalando…

Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti - as noites eu velei chorando,
Por ti - nos sonhos morrerei sorrindo!

Álvares de Azevedo

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Ser... não sendo
Hoje foste silêncio,
palavra não articulada,
nota musical não tocada.
Não murmuraste no vento,
não ecoaste na sombra,
não cantaste
a melodia triste das ondas.
Foste voz calada,
boca cerrada,
olhar ausente.
Hoje simplesmente
esgotaste as memórias
do alfabeto,
não juntaste as letras,
esqueceste
que o verbo estar existe,
mesmo não estando.
Hoje foste
ausência de rumores encantados,
vazio repleto
de mudos sons,
reclusão
de exclamações vibrantes.
Hoje, meu amor de ontem,
simplesmente não foste!
Rita Pais
A Tua Boca
A tua boca. A tua boca.
Oh, também a tua boca.
Um túnel para a minha noite.
Um poço para a minha sede.
Os fios dormentes de água
que a tua língua solta num grito cor-de-rosa
e a minha língua sorve e canta
e os meus dentes mordem derramando a seiva
da tua primavera sem palavras
o poema inquieto e livre que a tua boca oferece
à minha boca.
As loucas bebedeiras de ternura
por essa viagem até ao sangue.
Os beijos como fogueiras.
As línguas como rosas.
Oh, a tua boca para a minha boca.
Joaquim Pessoa

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Amor que morre

O nosso amor morreu ... Quem o diria!
Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta,
Ceguinha de te ver, sem ver a conta
Do tempo que passava, que fugia!

Bem estava a sentir que ele morria...
E outro clarão, ao longe, já desponta!
Um engano morre ... e logo aponta
A luz doutra miragem fugidia ...

Eu bem sei, meu Amor, que prá viver
São precisos amores, prá morrer.
E são precisos sonhos para partir.

E bem sei, meu Amor, que era preciso
Fazer do amor que parte o claro riso
De outro amor impossível que há de vir!

Florbela Espanca
Eu quero apenas amar-te lentamente
Como se todo o tempo fosse nosso
Como se todo o tempo fosse pouco
Como se nem sequer houvesse tempo.
Joaquim Pessoa
HOJE...SÓ HOJE!!
Hoje!! Quero a intensidade no olhar
A sensibilidade do toque nas mãos
O gosto do beijo molhado nos lábios
Tua pele macia aquecendo a minha
....Teu perfume impregnando o ar
Embriagando-me completamente de ti
Hoje!! Quero te chamar de meu amor
Ser inteiramente tua e ter você pra mim.
(Kity Araújo)
Lei de Direito Autoral (nº 9610/98)